sábado, 19 de abril de 2014

Vai (2014)

Vai

Quer ir embora?

Vai lá
Mas vai lá e não volta
Sem essa de meia volta
Volver
Porque eu não vou ver
Você
Sair por aquela porta
Achando que pode voltar 
E não me inventa
De querer voltar atrás 
Nem me espera
Porque não vou te querer mais 
Vai 
E não me importa
Se vai se arrepender
Pondo-se daqui pra fora
Não adianta 
E não reclama
Porque a escolha tá sendo só sua
Seu filho da puta.

Nina Lessa.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Tchau, amor

Tchau, amor, não volte. Não preciso mais de você. Não quero mais sua companhia e já não sinto falta de nos falarmos todos os dias. Quando lembro de você? Deixo passar - porque passa. Já não te imagino com a mesma graça.

Tchau, amor, não chore, porque eu já não choro mais. Já não me entristece saudade nem mágoa; não sinto raiva nem carinho. Tuas frustrações ficaram mais marcadas. O que me falta? Muita coisa - mas você, não. Não mais.

Tchau, amor, não espera o tempo passar porque eu não volto. Pro seu lado, eu não quero. Escolho liberdade, solidão e até outra companhia, pode ser. Escolho não te escolher. Tchau, amor, que de amor não é mais nada: acabou.

Nina Lessa (2014)

quinta-feira, 27 de março de 2014

Amigo que é amigo

Amigo que é amigo

Amigo que é amigo vai detestar um monte de coisa que você adora, mas vai aturar porque você é a única companhia. E você não vai achar que é a última opção por causa disso - assim como vai encher o saco dele sempre que puder alfinetar que aquilo é uma roubada. Mas vai de novo quando ele te chamar, porque amigo é isso.

Porque tem dia que o perrengue é você quem propõe, e amigo que é amigo vai mesmo assim, mesmo detestando lugar, pessoas, situação. Amigo de verdade quer muito ir numa festa, mas se o seu ex estiver lá, ele vai embora contigo numa boa - ou vai ser o primeiro a arrumar alguém pra você beijar na frente daquela imbecil. Amigo é pra isso.

Pra morrer de preocupação se você ficar doente, te visitar no hospital e comer um sanduíche que você não pode só pra te sacanear. E você vai ficar puto e avisar que vai comer pra cacete quando sair daquela cama, e vocês vão beber muito depois. E vão mesmo. Amigo é aquele que te ama, e por isso mesmo não vai estar ali pra fazer as perguntas chatas que a sua mãe faz. Só às vezes.

Amigo que é amigo fica feliz quando você finalmente namora alguém legal - e quando você finalmente termina com aquela piranha que com certeza te traía. Amigo te critica quando vê que você tá fazendo merda e joga na cara quando dá tudo errado. Ele faz isso porque gosta de você, e amigo de verdade depois pede desculpa porque todo mundo é otário quando tá apaixonado, né? Então tudo bem.

Amigo que é amigo ri da gente e com a gente; amigo de verdade chora junto e por nossa causa, por justa causa. Amigo tem história pra contar e pra escrever, não importa quanto tempo se conhecem - às vezes a gente precisa reconhecer as pessoas que sempre estiveram perto, mas só agora chegaram mais pro nosso lado. Amigo muda com a gente ou não muda nunca, e isso até pode ser bom.

Porque amigo que é amigo pode casar, se mudar, ter filho e ter neto. Amigo é amigo e pronto. É diferente. É uma coisa de duas pessoas, um elo que só comporta duas pontas. Agrega um monte, monta mesa de gente conversando, cabe todo mundo na foto. Mas a amizade de dois é coisa única. É olhar, é uma palavra, é só uma lembrança e pronto, já ri sem precisar de muito. Ou chora.

Amigo que é amigo faz merda e a gente perdoa, mas só perdoa porque é amigo. Se for um colega, a cagada parece que é muito maior - assim como a mágoa triplica quando é o amigo que nos fere. Faz parte. Mas amizade perdoa, esquece, passa por cima. É tão linda e pouco egoísta que às vezes eu penso por que os namoros e casamentos são tão pouco assim. A linha de um amor pro outro é tênue.

(E aí você vai acabar esse texto e perceber quantas pessoas são suas amigas e você não reconhecia. E quantas pessoas não são, e talvez você esteja muito tempo valorizando demais.)

Nina Lessa

sexta-feira, 14 de março de 2014

Eu não quero mais saber

Eu não quero mais saber
Como você anda
Se engordou ou voltou a malhar
Eu não quero mais saber
Se você ainda me ama
Ou se já deixou de me amar

Eu não quero mais saber
De você
Porque sei
Que você não quer saber de mim
E se quiser
E se perguntar
Vou dizer que tô bem, sim

Não quero saber de você
Não mais
A ideia é te deixar pra trás
Já que você foi
E não quis ficar
Não tenho remorso algum
De te jogar no meu 'jamais'

Eu não quero mais saber
De você
Só quero distância
Quem espera não alcança
E eu não quero mais
Nem sua remota presença
Nem tenta.

Não quero mais
Saber
Não quero mais
Te ler
Não quero mais 
Esbarrar,
Fingir que não, mas esperar
Não quero mais
Você.

Nina Lessa.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Um poço de mentiras

Ser traído não é fácil. Não tem amor próprio que resista a remota vontade de não querer ir embora. A gente quer tentar ficar, quer tentar saber por que, quer entender onde foi que perdemos o até então amor da nossa vida pra outra pessoa.

Não queremos e nem vamos entender com facilidade ou rapidez que não adianta: não há o que tentar. Não tem por que, não perdemos nada. Mas não adianta. A gente queria que o tempo voltasse é que tudo não passasse de um pesadelo.

Ser traído não é fácil e dói fisicamente. A gente vai rever a cena que viu, que nos contaram ou aquela que imaginamos umas 5.783 vezes. Ou mais. A gente vai culpar o nosso amor, a parte de lá e vai achar que merecemos. Quem é a vítima?

A gente tem ódio e quer matar todo mundo. Ela, ele, os amigos que não entendem, os pais, bando de idiota. Achamos que quando acontece com nós mesmos, é diferente. Que dessa vez as coisas não são bem assim. Que esses conselhos estão todos errados.

Onde a gente se inscreve pro tempo passar mais rápido? A gente pode pedir um tempo pro mundo parar, só pra gente se recuperar? Não. Quem dera. Mas a gente pode ter uma corda pra tirar a gente do fundo do poço. É quando ele chega.

Nosso amor próprio chega pra contar que não dá mais. Que dói, mas que vai passar. Que a gente acha que quer voltar, mas um dia vai agradecer a ele, ao amor próprio, por não ter voltado. Ele joga na nossa cara que é isso: faz parte. É a vida.

Mas não vai ser logo, não vai ser fácil e a vodka só vai ajudar se não tiver telefone por perto. Não vai ter nada que resolva sozinho, mas somando com o tempo, uma hora passa. A dor no ego, no coração e na nossa auto estima, que jogaram no lixo.

E quando passar, a gente vai conseguir perdoar mais do que as pessoas; vai perdoar as atitudes, vai perdoar a falta delas e de palavras; vai perdoar o que foi dito e que não deveria. Quando passar, a gente vai perdoar a gente mesmo por achar ter sido culpado.

Filho da puta é quem não dorme de consciência tranquila.

Por Nina Lessa.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Vem ou fica?

Vem ou fica?

Eu queria te dar a mão pra gente ir pra longe daqui. Era o que eu mais queria. Mas não consigo acreditar que você não vai me largar no meio do caminho. 

Da última vez você não aguentou nem sair da pista de pouso e pediu pra dar ré. Eu dei. Quando deveria ter te deixado e ido sozinha, eu sei. Mas dei ré.

E foi à toa. Fiquei esperando que você engatasse a primeira de novo em vão. Engatei eu. Será que você passaria a segunda? E claro: você não passou. Então eu abri a porta e saí.

Agora você veio correndo quando me viu passando direto por você e já em velocidade média. Você não achou que eu iria, não tão rápido, não sem olhar pra trás. Só que eu fui.

E agora você quer pilotar de novo, mas eu não sei se te coloco na direção. Pra parar e me fazer voltar de novo? Pra sair no meio do caminho? Não. Foi por isso que, por enquanto, eu só aceitei te dar carona.

Nina Lessa


Em: Fevereiro/2014

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

O primeiro de 2014

É claro que eu te amei, o que você acha? Amei. Mas acho que amei mais a ideia que eu tinha de você do que aquilo que você era de verdade. Não que você tenha me enganado. Em momento algum você tentou demonstrar alguma coisa diferente do que era, mesmo você achando que é uma pessoa que, na verdade, não é.

Olha, eu não te culpo. Juro que não. Você acha que é um tipo de cara que não existe. Acho legal você acreditar nisso - alguém tem que acreditar, né? Só que você precisa saber que está longe, muito longe. No fundo, eu acho que você sabe disso, só não quer assumir. Não deve ser fácil ser alguém que a gente tenta negar todo dia.


Eu não fui embora pelo que você dizia ser nem pelo que você realmente foi. Eu fui embora porque acreditei que você poderia ser mais. Nem eu sei o que, mas sei que ficou faltando. Eu esperei vir, ou o que faltava ou a minha saciedade. Nenhum dos dois chegou. Então eu fiz as minhas malas e fui.


Não vou voltar, pode ficar tranquilo. Você nunca mais vai me ter de novo, de nenhuma maneira. Quando nos esbarrarmos e você estranhar por não me reconhecer, não ache que o problema foi com você. A escolha de ir embora foi minha, só minha. É que eu escolhi ser feliz.


Nina Lessa

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

Querido Papai Noel

Querido Papai Noel, 


Eu sei que é ridícula essa minha tentativa de pedir alguma coisa pra quem eu não acredito mais desde os 8 anos, mas sei lá, tem esses mesmos 8 anos que eu comecei a deixar de acreditar no amor, então acho que posso trocar uma coisa pela outra, né?

Ok, exagerei: não é que eu não acredite no amor, não é isso. Mas não acredito mais naquela coisa que chamam de única. Já tive uns 3 únicos e bom, nenhum deles ficou aqui. Sei que o problema não é comigo, assim como não eram eles, mas porra, Papai Noel! E agora?

Eu não quero presente, não. As coisas que eu quero comprar, vou lá e compro. Trabalho pra isso. O que eu vim te pedir aqui é onde está o meu bom novinho, já que de bom velhinho me basta vc? Existe isso de "o cara" aparecer?

Quando pequena, nas vezes que eu não te via, minha mãe me dizia pra encontrar os sinais. Aí eu via suas renas perto da lua e ouvia suas passadas, seu sino. Que tal vc me mandar um sinal desses me contando se espero ou desisto?

Confesso que a cada Natal, morre dentro de mim um pouquinho de espírito natalino. Não sei se pela overdose de realidade ou se pela coleção de finais. Me ajuda, Noel: quantos "eu te amo" até saber que é o último?


Por Nina Lessa

Em 24/12/2013.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Lancei um livro




Sim, galera! Sumi, mas é porque escrevi um livro!

Ele se chama "Escrevi e não entreguei: publiquei", é quase do tamanho de um tablet (cabe na bolsa, meninas!) e tem crônicas, prosas e poesias minhas, entre os anos de 2003 e 2012.

O prefácio é do meu querido avô e a contracapa, com muito orgulho, do jornalista querido Alex Escobar.

Para comprar um exemplar, basta me mandar um e-mail para tchutchunina@gmail.com que eu respondo com o número da conta para depósito.

Beijos!

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sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Ouvi Dizer

Ouvi dizer que quando é amor, a gente sabe. Mas quando a gente briga, eu não sei mais.

Ouvi dizer que quando é amor, é pra sempre. Mas eu não sei da gente.

Ouvi dizer que quando é amor, a gente não tem medo de perder. Mas eu tenho, de perder você.

Ouvi dizer que quando é amor, a gente perdoa tudo. Mas eu prefiro resolver, antes.

Ouvi dizer que quando é amor, a gente tem tem ciúmes. E eu tenho, mas confio em você,

Ouvi dizer que quando é amor, não existe nada maior. Mas acho que meu respeito por você consegue superar.

Ouvi dizer que quando é amor, a gente nem olha pro lado. Mas eu olho, e ainda assim prefiro você.

Ouvi dizer que quando é amor, a gente não tem dúvida. Mas eu tenho, não sei de amanhã.

Ouvi dizer que quando é amor, a gente só sente. Aí eu vi que era só isso mesmo.

Ouvi dizer que quando é amor, a gente fica sem palavras. E é verdade.